HÁBITOS:
UMA BENÇÃO OU UMA MALDIÇÃO?
As correntes dos hábitos são
muito pequenas para serem sentidas, até que elas se tornam muito fortes para
serem quebradas (Samuel Johnson)
O mundo está cheio de pessoas
que choram, reclamam e deixam para amanhã o que deve ser feito hoje, o hábito
dessas pessoas frente à vida e ao trabalho determina a maior parte do seu
sucesso ou fracasso.
Hábitos são padrões de
comportamentos que se tornam automáticos depois de um certo período de tempo em
função de uma constante freqüência e repetição.
Todos nós temos padrões e
hábitos comportamentais que nos dominam e nos fazem sofrer a vários níveis:
fisicamente, mentalmente, emocionalmente. Muitos de nós sente-se bloqueado e
mesmo infelizes, mas continuamos a repetir os mesmos comportamentos e a viver
as mesmas situações que nos fazem sofrer.
Um hábito é como uma corda.
Todos os dias juntamos mais um fio, até que se torna extremamente difícil
quebrá-lo.
Um olhar interior com uma
atitude honesta de auto-avaliação é o primeiro passo para mudança. Se
porventura você não está feliz com a direção da sua vida, existem chances muito
fortes de que alguns hábitos precisam ser anulados ou radicalmente
substituídos. Lembre-se que nós fazemos os nossos hábitos, mas depois de um
certo período são os hábitos que nos fazem.
Cada mudança de hábito é um
caminho cheio de obstáculos. Infelizmente, quando atingimos algum obstáculo,
normalmente desistimos, ou voltamos a tentar, mas atingimos os mesmos
obstáculos uma e outra vez, com os mesmos resultados. Em vez disso, pense no
percurso e tente antecipar os obstáculos.
Se já falhou antes, pense no
obstáculo que o impediu de suceder. Se nunca tentou mudar esse hábito, faça uma
pesquisa e leia o que outras pessoas que já tiveram sucesso ou fracassaram têm
a dizer, e descubra quais podem ser os obstáculos que o esperam. Depois elabore
um plano com os detalhes do que fará quando se deparar perante esses mesmos
obstáculos. Por exemplo, se você têm algumas dificuldades em controlar o seu
apetite quando vai comer fora, deve desenvolver uma estratégia para não comer
demais.
O que é que fará quando for
comer fora? Quais são as suas estratégias? Você tem de pensar nelas antes de
ir, porque quando o momento chega e não temos um plano, então já é tarde
demais.
"Apesar das minhas
melhores intenções, existem dias em que as coisas dão errado ou que eu caio nas
mãos de velhos hábitos. Quando as coisas não vão bem, quando estou irritado ou
nervoso, eu percebo que não tenho prestado atenção à minha alma e não tenho
seguido meus melhores costumes." Diz Robert Fulghum é filósofo, teólogo e
autor do livro "Tudo que Eu Devia Saber Aprendi no Jardim de
Infância".
Na realidade, a maior parte dos
hábitos é boa. Ajuda a nos vestir de manhã, amarrar os sapatos, escrever os
nossos nomes, dentre outras tarefas rotineiras que não exigem nossa atenção
exclusiva. Contudo, alguns hábitos são aborrecidos e indesejáveis, até mesmo
autodestrutivos, e vão desde maneirismos nervosos e certas aberrações de
linguagem, até fumar e comer em demasia.
Para a grande maioria das
pessoas, pequenos ajustes no estilo de vida operam verdadeiros milagres quando
o assunto é hábitos.
O segredo é mudar um hábito de
cada vez, como ilustra esta pequena historia zen onde um grande samurai foi
questionado como, em uma lendária batalha, ele havia derrotado 17 guerreiros. A
resposta foi simples: um depois do outro.
Geralmente queremos mudar todos
os nossas hábitos de uma vez, como nas promessas de final de ano que sempre
fazemos, e no final de um mês, nos encontramos estafados e frustrados, pois
nada mudou.
Escolha um único habito, aquele
que mais lhe incomoda ou atrapalha seu desenvolvimento e se concentre apenas
nele. Desenvolva uma estratégia de reversão deste habito. Por exemplo, você não
tem o habito de ler e isso está dificultando o seu desenvolvimento.
Segundo uma pesquisa 90% das
pessoas que lêem menos do que deveriam alegam falta de tempo. Tente ler trinta
minutos por dia, se você for lento conseguirá ler aproximadamente quinze
paginas, se levarmos em conta um ano comercial, isto é, sem feriados, finais de
semana, ferias etc teríamos duzentos dias úteis, multiplicados pelas suas
quinze paginas, alcançaríamos o volume de três mil paginas lidas anualmente, ou
seja, dez livros de trezentas paginas. Já é um bom começo para alguém mal lia
uma revista inteira.
Tudo está ligado ao seu
comprometimento pessoal. Eu quero, eu faço.
Segundo Samuel Beckett
dramaturgo, escritor irlandês e vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 1969,
"Respirar é um hábito. A vida é um hábito. Ou melhor, a vida é uma
sucessão de hábitos, porque o indivíduo é uma sucessão de indivíduos".
Existe uma história budista
sobre um homem e um cavalo. O cavalo está galopando rapidamente, e parece que o
homem que cavalga se dirige a algum lugar importante. Um outro homem, em pé ao
lado da estrada, grita: "Para onde você está indo?" E o homem a
cavalo responde: "Não sei. Pergunte ao cavalo!"
Esta é a nossa história.
Estamos todos sobre um cavalo, não sabemos aonde vamos e não conseguimos parar.
O cavalo é à força de nossos hábitos que nos puxa, e somos impotentes diante
dela. Estamos sempre correndo, e isso já se tornou um hábito. Estamos
acostumados a lutar o tempo todo, até mesmo durante o sono. Estamos em guerra
com nós mesmos, e é fácil declarar guerra aos outros também.
A força do hábito costuma ser
mais forte do que nossa vontade. Dizemos e fazemos coisas que não queremos e
depois nos arrependemos.
Alguns comportamentos podem
causar sérios prejuízos tanto dentro de uma empresa como em sua vida pessoal. A
ansiedade, por exemplo, gera instabilidade e confusão no ambiente, tornando as
pessoas nervosas. Alem de outros comportamentos deletérios como o crítico, o
depressivo, o mal humorado, o arrogante, egoísmo, autoritarismo dentre vários
outros.
Estes são alguns dos hábitos
inadequados que fazem com que essas pessoas se sintam cada vez mais sozinhas e
isoladas, sem entender o motivo de tal isolamento. Para mudar um hábito, comece
a observar-se. Perceba qual é a reação que o seu comportamento causa nas
pessoas ao seu redor. Você pode estar se afastando de pessoas queridas por
falta de observação. Sentir-se o dono da verdade pode torná-lo arrogante.
Jamais se esqueça que você só tem o direito de olhar uma pessoa de cima se for
para ajudá-la a levantar-se.
Uma auto-analise do seu próprio
comportamento lhe dará subsídios para montar uma estratégia de mudança de
hábitos. Faça uma lista em ordem de importância com os seus hábitos deletérios
de um lado e os saudáveis do outro. Depois descreva um breve plano de ação de como
modificar cada um dos seus hábitos dielétricos seguidos de prazos.E mãos á
obra.
Eu fiz parecer simples, mas não
significa que seja fácil. Isto não acontecerá automaticamente, somente por que
você está lendo este livro ou por ter belos pensamentos. Não existe mágica.
Você tem que entrar em ação.
Cuidado com a síndrome da
segunda feira. Quantas vezes você já prometeu para você mesmo começar alguma
mudança na segunda feira e ela nunca começou. Se prometer comece agora, neste
instante, não crie mais outro habito, o de mentir pra você mesmo.
É vital que as nossas crenças,
os nossos hábitos e a nossa história de vida estejam também em sintonia. Tudo
isso está no lado do cérebro inconsciente.
Fazendo uma comparação bem
simples, o que acontece é mais o menos o seguinte: o lado consciente escolhe
mudar, mas esquece de contar a novidade para o lado inconsciente. Como o
inconsciente é muito maior e influencia todos os nossos hábitos, sem saber da
mudança, ele continua com o comportamento velho alem de sabotar todas as suas
tentativas de mudança.
O nosso inconsciente resiste às
mudanças de hábitos, justamente porque é feito para economizar esforços. Aquilo
que fazemos rotineiramente torna-se fácil e progressivamente compulsório e a
força do hábito torna-se quase invencível! Isto, por incrível que pareça, é um
prático recurso para facilitar o nosso dia-a-dia. Imagine se você tivesse que
tornar consciente o ato de andar, comer, dirigir etc.
O problema ocorre quando alguns
de seus padrões de hábito inconscientes não funcionam mais tão bem para você.
Eles podem automaticamente te impedir de obter o que você quer. Eles
provavelmente estão operando até mesmo agora, impedindo você atinja os seus
objetivos.
Por exemplo, uma criança
recém-nascida aprende a chorar quando está com fome ou com a fralda suja.
Chorar é muito eficaz para ela. Ela chora, e alguém rapidamente vem ver o que
ele precisa. Mas esta resposta automática perde sua eficácia quando nos
tornamos adultos.
Agora imagine alguém, pode ser
do trabalho ou da família, gesticulando muito, aumentando o tom de voz, o rosto
ficando vermelho e talvez até agitando os braços ou batendo os punhos em numa
mesa somente porque está frustrado e não consegue o que querem. Não lembra a
reação de um bebê chamando a atenção para as suas necessidades básicas?
Este gatilho é chamado de
seqüestro de amídala e desenterra um padrão de hábito inconsciente que foi
eficaz quando criança, mas agora sob pressão, ele vem á tona sabotando o seu
próprio comportamento.
Velhos hábitos impedem novos
sucessos. Pense nisso!
Soluçoes
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